Maior encontro de ecoturismo do país debateu os caminhos para prevenção das queimadas no Brasil

Especialistas discutiram a importância da gestão planejada do fogo, o impacto dos incêndios no país e os desafios climáticos e estruturais enfrentados


Por Rota Araguaia em 06/11/2024 às 09:04 hs

Maior encontro de ecoturismo do país debateu os caminhos para prevenção das queimadas no Brasil
Foto: Fernando Veloso Leão/Abeta

Redação

O Abeta Summit 2024 – 21º Congresso Brasileiro de Ecoturismo e Turismo de Aventura – sediado em Foz do Iguaçu, promoveu uma discussão essencial sobre gestão de incêndios e a nova Política Nacional de Manejo Integrado de Fogo. No painel intitulado “Fogo!!! Se não cuidar, vai queimar tudo”, Bianca Zorzi, coordenadora de Manejo Integrado de Fogo (CMIF) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e Natália Crusco, do MapBiomas, compartilharam dados e estratégias para conter os impactos do fogo no país.

Bianca Zorzi ressaltou a importância de diferenciar queimadas controladas de incêndios devastadores. “O fogo em si não é intrinsecamente ruim. O que assusta são os incêndios — todo fogo descontrolado que incide sobre a vegetação. Já a queima é planejada e tem objetivos específicos”, explicou. Para ela, a prevenção é o maior desafio, exigindo planejamento, educação ambiental, e queimas prescritas em parceria com as comunidades.

Com um cenário agravado pelas mudanças climáticas, 2024 tem sido especialmente difícil devido ao aumento das temperaturas e a redução das chuvas. Bianca apontou que o desmonte recente das estruturas ambientais complicou o manejo do fogo, afetando contratações de brigadistas e iniciativas preventivas.

Natália Crusco trouxe ao debate um panorama histórico baseado nos dados do MapBiomas. Desde 1985, 199,9 milhões de hectares foram queimados no Brasil, representando 23% da área do país. Em 2023, 16 milhões de hectares foram atingidos, com 86% das áreas afetadas concentradas no Cerrado e na Amazônia, regiões mais vulneráveis ao fogo devido à seca e à expansão agrícola.

O evento reforçou a necessidade de uma abordagem integrada e coordenada para enfrentar os desafios impostos pelo fogo e pelas mudanças ambientais no Brasil.

A aprovação da Lei 14.944, de 31 de julho de 2024, representa um avanço significativo para a gestão de incêndios no Brasil, tornando obrigatória a Política Nacional de Manejo Integrado de Fogo. A nova legislação exige que o manejo do fogo inclua não apenas ações de combate, mas também preparação e prevenção. Bianca Zorzi, coordenadora de Manejo Integrado de Fogo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), explicou que a mudança fortalece uma abordagem integrada. “Antes, tínhamos uma abordagem focada apenas no combate, mas agora a integração das etapas de preparação e prevenção é obrigatória”, destacou.

A política prevê planejamento estratégico, capacitação de brigadistas e parcerias com as comunidades locais, ampliando a capacidade de resposta às queimadas. Os dados de 2024 apontam para uma situação preocupante: de janeiro a setembro, mais de 22 milhões de hectares foram queimados, sendo que apenas em setembro foram atingidos 10 milhões de hectares.

Natália Crusco, do MapBiomas, reforçou a urgência das medidas, destacando que as práticas preventivas são essenciais para preservar os biomas e promover o desenvolvimento sustentável. “Precisamos agir coletivamente para proteger nossos biomas e manter um equilíbrio que preserve a biodiversidade e o desenvolvimento sustentável”, afirmou.

A lei representa um marco para o manejo ambiental no país, exigindo ações integradas para minimizar os impactos devastadores dos incêndios e preservar os ecossistemas brasileiros.



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